Mostrando postagens com marcador relação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor. 

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor. 

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor... 

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor? 

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.  Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.


Vinicius de Moraes

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ela gosta dessas coisas

Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.  Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça...ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.



Caio Fernando de Abreu

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Diferença entre amor e sexo

Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo, são como a palavra farmakon em grego: remédio ou veneno – depende da quantidade ingerida.
O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente.
No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.
O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas. O amor é o desejo de atingir a plenitude. Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade – nunca é totalmente satisfatório.
O sexo pode ser, dependendo da posição adotada. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece.
Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.
O amor é mais narcisista, mesmo entrega, na ‘doação’. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo. Amor é um texto.
Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do ‘outro’. O sexo, mesmo solitário, precisa de uma ‘mãozinha’. Certos amores nem precisam de parceiro florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não – é mais realista.
Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora. O amor vem de nós. O sexo vem dos outros. ‘O sexo é uma selva de epilépticos’ (N. Rodrigues). O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.
O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões
O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: ‘Faça amor, não faça a guerra’. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas.
O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica.
O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as ‘saunas relax for men.. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do século XII e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã.
Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controlá-lo é programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. O mercado programa nossas fantasias.
Não há ‘saunas relax’ para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone. No entanto, em todo bordel, finge-se um ‘amorzinho’ para iniciar. O amor virou um estímulo para o sexo.
O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca uma certa ‘grandeza’. O sexo é mais embaixo. O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há ‘sexo seguro’ mas não há camisinha para o amor.
O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é a lei. Sexo é a transgressão. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados.
Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa
O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda – ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta”.


via http://www.tatianegoes.blogger.com.br/2004_03_01_archive.html

Estou cansada...

    
...Cansada das pessoas me magoarem e simplesmente dizerem “sinto muito”, “desculpa”. Essas palavras não curam um coração partido!

... De buscar um amor perfeito, embora saiba que esse amor, de fato, nunca vai existir. Cansada de não poder dizer o que guardo dentro de mim, por que sei que não serei compreendida.

... De descobrir que mesmo olhando nos olhos, as pessoas não são sinceras e que por trás de um belo sorriso pode haver muita maldade, frieza e mentiras.

... De confiar, de acreditar, de ser ingênua e achar que tudo o que me dizem é verdade. De esperar que as pessoas, assim como eu, não dizem o que não sentem.

... De querer o que não posso ter, de amar pela metade, de não poder me apaixonar de verdade, estou cansada de sentimentos vazios e promessas falsas.

... De querer quem não me merece. De esperar de mais das pessoas e me decepcionar. De chorar por quem não vai enxugar minhas lágrimas !!! E de esperar por alguém que partiu e não vai mais voltar...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

E quando me libertei...

Eis que estava eu assim... meio que inerte, meio que anestesiada, sem acreditar que conseguira me libertar...


Sim,  me libertei! Depois de tanto tempo vivendo uma situação, disfarçada por uma relação que me consumia as energias,  e por vezes a alegria também.
E nesse ponto, me desvio pra fazer um questionamento a mim, e a você que porventura esteja lendo estas confusas linhas:
 Porque nos acostumamos com o que não nos faz bem? Sim... nos acostumamos.
 Pessoas, lugares... situações que nos dão uma sensação falsa de total felicidade, e nesse ponto, friso que as pessoas são especialistas nisso. 
Sim, somos,  pois estamos ali, fazemos de tudo para cativar alguém, ser amado, fazer falta pra certa pessoa, nos mostramos os melhores que podemos ser... Daí o tempo  passa,  - e é claro, ninguém é perfeito - e  os defeitos "aparecem",  ou na verdade sempre estiveram lá... E é ai, que nossa "falsa felicidade" mostra as caras, e percebemos que esperamos demais, queremos demais...talvez sonhemos demais. Daí me lembro de uma frase que ouvi em algum lugar:  "Não espere dos outros aquilo que você ainda não pode oferecer, ou seja:  PERFEIÇÃO.
Ai nesse ponto, quando nossos ideais de perfeição se perdem, "nos tocamos"  que o outro é tão humano quanto nós, e  pode sim nos machucar.
 E nesse papo todo, onde entra a história da LIBERTAÇÃO?...
É fato que quando você está completamente envolvida por uma situação, - e nesse caso leia-se PESSOA - ela já te mostrou coisas que você gosta, e já fez  você gostar dela,  daí  os defeitos fatalmente, vão "se mostrar pra você" e daí talvez, e só talvez eles sejam um pouco demais pra que você conviva com eles,

Mas mesmo assim,   chega uma hora em que  torna-se cômodo  (apesar de tudo) continuar em sua "zona de conforto" , e mais, junte-se a isso o fato de você se importar muito com o sofrimento,  que uma libertação desse relacionamento causaria  no outro (sim porque ele tem defeitos, mas inegavelmente também gosta de você).

Resumindo, tá ruim, mas dá pra suportar, e apesar de tudo ele(a) é uma boa pessoa, e não quero vê-lo (la) sofrer... 
Mas ai, deveria ser o momento de você se perguntar e EU??? E a minha infelicidade a cada briga, desentendimento  situações de desconfiança, e de desconforto causadas pela junção de defeitos de duas pessoas???
Foi ai que depois de  anos, de confusão emocional, ligadas a um relacionamento de seis anos (eu sei...) eu me fiz esta pergunta, e mais , eu me perguntei, será que tá bom mesmo? Será que eu não to merecendo coisa melhor, e digo "coisa melhor"  não como quem procura "alguém melhor", digo isso como quem diz, se não tá bom, que problema tem em ficar de boa, e quem sabe sozinha encontrar felicidade? É, acho que tava fugindo desse encontro comigo mesma, e me refugiando em alguém... talvez.

Foi ai, depois de mais um de intermináveis conflitos com  o outro - que estavam sendo até mais constantes que os momentos felizes-  que eu me libertei...  Foi aos poucos, foi difícil.... Doeu e ainda dói...  
Mas é preciso sair do que é suportável,   pra encontrar o inimaginável.
 Pra sentir aquilo que você talvez não sentisse á tempos, porque uma"cortina" de comodismo, medo e sentimentalismo destrutivo, não te deixaram ver...

Ai talvez vocês podem estar pensando:  Agora ela está se descobrindo, e curtindo uma "vibe"  de estou feliz e estou sozinha... E vai ficar assim por um bom tempo.
 Bom isso não deixa de ser verdade, de fato eu estou me descobrindo uma "menina" mais forte do que pensei, e de fato estou curtindo uma "vibe de" estou feliz. Mas de FATO meu coração não quis ficar só... E isso é história pra um outro Post, qualquer dia desses ai... 

By.  PaTySOuSa